Oficina de
Emoções

A Oficina de Emoções tem como objetivo despertar as crianças para suas próprias emoções, incentivando os pequenos a identificarem e administrarem seus sentimentos desde a infância, facilitando a forma como os compreendem e lidam com os mesmos.

Assim, trabalhar a Inteligência Emocional das crianças é a melhor forma de desenvolver adultos emocionalmente equilibrados, capazes de identificarem e gerenciarem suas emoções.

Daí a importância e necessidade, cada vez mais urgente, de se investir em saúde e educação emocional para nossos filhos, visando seu bem-estar e qualidade de vida futuros!

Através das atividades propostas na Oficina das Emoções, as crianças aprenderão brincando o significado das emoções básicas em sua vida, como a alegria, a tristeza, a raiva, o medo, etc.

Será por meio desse primeiro contato com os significados de cada uma das suas emoções que as crianças se darão conta da existência das mesmas, aprendendo a nomeá-las e identificá-las, tornando mais natural e compreensível a expressão destas em seu cotidiano.

 

PILARES: COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA

A Comunicação não violenta é um processo de comunicação criado pelo psicólogo norte americano Marshall Rosenberg a partir da década de 1960. Ele fundou o The Center for Nonviolent Communication1 e disseminou a CNV em cerca de 60 países.

Os 4 passos desenvolvidos por Rosenberg para aprimorar a qualidade de nossas ações e proporcionar relações mais eficazes e empáticas.

 

1- Observação: Observar sem julgar

Observar é olhar para a situação de uma forma neutra, com atenção, interesse, sem fazer julgamentos, guardando sua opinião para si ou para expressá-la de modo específico no momento e contexto apropriados. Primeiramente, observamos e analisamos o que realmente podemos extrair de interessante e enriquecedor de determinado contexto.

 

“A forma mais elevada da inteligência humana é a capacidade de observar sem julgar […] Quando julgamos ou condenamos, não podemos ver com clareza, pois só olhamos nossas próprias projeções. Cada um de nós tem uma imagem do que pensamos ser ou deveríamos ser, e essa imagem, esse retrato, nos impede inteiramente de vermos a nós mesmos como realmente somos”. Filósofo indiano Jiddu Krishnamurti.

Observar sem julgar é uma técnica, um recurso para resolver um conflito pacificamente, de modo que a relação seja transformada, refeita e não acabada.

Cada pessoa possui o seu juízo de valor, acreditando no que considera ser melhor para a vida.  Quando impomos o nosso juízo de valor a outras pessoas estamos exercendo um julgamento moralizador. Estes julgamentos se manifestam quando não concordamos com os comportamentos e atitudes alheias.

 

 2- Sentimentos: Identificar sentimentos

Não é tarefa fácil desenvolver um vocabulário de sentimentos para nos expressar de forma clara e específica quanto às emoções sentidas em determinadas conversas. A nossa cultura como também conceitos religiosos provocam um bloqueio psicológico, que resulta na ocultação de diversos sentimentos. Identificar e dar nomes às nossas emoções e às emoções do outro, distinguindo sentimentos dos pensamentos, é muito importante para a CNV. É fundamental aprender a identificar nossos sentimentos para saber como lidar com eles.

“Nosso repertório de palavras para rotular os outros costuma ser maior do que o vocabulário para descrever claramente nossos estados emocionais”. Marshall Rosenberg

 

3 – Necessidades: Reconhecer e assumir os sentimentos

É saber reconhecer a necessidade que cada pessoa tem e que está escondida atrás de cada sentimento, de cada fala, de cada atitude tomada, para construir uma comunicação mais equilibrada e empática. Assim, quando as necessidades são identificadas, e cada pessoa se responsabiliza pelos seus sentimentos, consegue-se estabelecer uma conexão com si próprio e com os outros, conscientizando-se de que as atitudes e falas das pessoas podem estimular nossos sentimentos, mas não ser a causa deles. Somos nós que escolhemos a maneira como queremos receber o que as outras pessoas estão fazendo e falando sobre nós.

Falando ainda sobre a necessidade, o psicólogo norte-americano Abraham H.Maslow demonstrou na Hierarquia de Necessidades de Maslow ou Pirâmide de Maslow, o conceito que de que o homem é motivado segundo suas necessidades. E essas necessidades manifestam-se em diferentes graus, iniciando-se pelas fisiológicas até chegar ao último grau que abrange a realização pessoal, conquistando assim a autorrealização.

Associando a necessidade mencionada na CNV com o conceito abordado por Maslow do ser humano atingir a autorrealização, se satisfeita as diversas necessidades, surge a questão que quando o ser humano não tem suas necessidades atendidas, o seu comportamento é afetado de uma forma negativa, podendo surgir um conflito que pode escalonar e manifestar-se de maneira violenta.

Concordamos que as necessidades humanas são comuns a qualquer ser humano. O que diferencia são as formas que cada pessoa busca satisfazer suas necessidades. Percebemos que para satisfazer as necessidades e alcançar a autorrealização estudada por Maslow é preciso nos responsabilizar pelas atitudes que tomamos para identificarmos os sentimentos que se esconde atrás de cada necessidade. Só assim vamos compreender os motivos que nos fazem agir de determinada forma e que leva outros comportamentos serem alheios aos nossos.

 

4- Pedido:

Quando conseguimos expressar aquilo que observamos, sentimos e necessitamos, fazemos então um pedido de forma clara e objetiva com o desejo de satisfazer nossas necessidades.

É preciso pedir de forma genuína e demonstrando empatia, caso o pedido não consiga ser atendido. Isso faz com que o pedido não seja visto como uma exigência. Um pedido sem a necessidade expressa e sem o sentimento envolvido é visto pelo outro como uma exigência, punição e culpa, no caso de não serem realizados.

Quando alguém se comunica de forma violenta, com julgamentos e críticas, a outra parte tende a se proteger usando o contra-ataque e utilizando a mesma comunicação violenta que foi iniciada. Assim, traduza as palavras que estão sendo direcionadas a você, por meio dos sentimentos e das necessidades, para não as interpretar em um primeiro momento como um ataque.

A Comunicação não violenta não quer dizer que exista uma regra para se comunicar, o certo ou o errado. Um bom início para utilizá-la é começar a ter uma conexão com nós mesmos e com os outros, estimulando o desenvolvimento natural da nossa compaixão.

 

Estamos no papel de mediador, escutando as histórias de cada parte e nos colocamos no lugar deles, cada sentimento que temos como reação é controlado e moderado. Até porque, a linguagem utilizada pelo mediador tem um significado muito importante e definitivo para se alcançar um resultado positivo. Precisamos utilizar um diálogo saudável e construtivo na mesa. Então nos esforçamos para manter uma postura serena, acolhendo cada parte com suas histórias e filtrando todas as informações para não levar para o nosso pessoal e não influenciar o nosso emocional. Mesmo quando alguma história parece ser também a nossa história vivida em alguma fase das nossas vidas.

 

Vamos explodir sim e podemos desabafar um mundo de palavras agressivas quando formos surpreendidos por situações em que não estávamos esperando, ou em situações que fomos muito magoados. Do mesmo jeito quando uma parte senta à mesa de mediação e joga aquele caminhão de “lixo” em cima da outra parte, às vezes até para o mediador, ou talvez, nem fosse a intenção direcionar para alguém, mas era a forma encontrada de desabafo e libertação. E essa libertação vem na maioria das vezes através de palavras, de palavras agressivas, sem filtro algum. Nesse momento, cabe ao mediador deixar a parte descarregar suas emoções e entrar em cena utilizando as ferramentas para fazer dessa situação uma mediação com resultados reflexivos e construtivos para cada um presente na mesa.

 

 Na CNV há essa separação: o comportamento de uma pessoa com a avaliação que faço desse comportamento. Segundo Rosemberg, 90% do nosso sofrimento acontece por causa de nossas interpretações.

Essa mudança na maneira de enxergar a situação quer dizer que o comportamento alheio não tem o poder de criar um sentimento dentro de mim. O sentimento aparece a partir da avaliação que eu faço do comportamento do outro. Ficando claro que cada um é responsável pelos seus sentimentos, e as ações dos outros são apenas estímulo, mas nunca a causa dos nossos sentimentos.

 

REFERÊNCIAS

Baseado no livro Comunicação não-violenta. Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e Profissionais: Marshall B. Rosenberg – São Paulo: Ágora, 2006. Disponível em:

www.icomfloripa.org.br/wp-content/uploads/2016/03/Comunicação-Não-Violenta.pdf

Disponível em: https://www.cnvc.org/

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